domingo, 4 de junho de 2017

Poema-Diário

Samba-canção
Ana Cristina Cesar

Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone – taí,,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha, 
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era comércio, avara, 
embora um pouco burra, 
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...



quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Importância da Convivência com Artistas

A privação do meio artístico é sem cor, sem vida. Isso me lembra uma matéria que li recentemente, onde as crianças que pintam e desenham desenvolvem percepção, emoção e inteligência bem mais rápido. Conclui-se que: se eu tivesse aprendido a desenhar quem sabe eu fosse menos babaca hoje.

Tenho colegas artistas, me orgulho muito.
Entrei recentemente num grupo de poesias – uma melhor que a outra – e tem sido muito fácil se inspirar. Essa convivência com as poesias de indivíduos "comuns" tem facilitado minhas escrituras tanto, sinto-me grata.

Se nas escolas a influência artística viesse desde cedo teríamos pessoas menos agressivas, quem sabe, mas não passivas a ponto de deixar a inteligência emocional de lado.


Deixo abaixo uma escritura dum colega:

Me arranhei na superfície áspera do teu amor
Me machuquei nos espinho que você me deixou
A tua falta dilacerou meu peito, como fera faminta com garras de rapina
O cheiro do teu corpo suado, ainda me desperta a noite quando estou sozinho no meu quarto
Mas desse mal não morri, fui maltratado e só cicatrizes na alma foi o meu saldo.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Bah

Bah. (não dá pra perceber ainda, porque essa é a segunda publicação, mas, sou péssima com títulos)
Essa é a única expressão que tenho pra minha vida agora.
Sou jovem, tem muita coisa acontecendo, o tempo todo, mas nada que me tire do comportamento blasé – queria que fosse um comportamento estoico, me pouparia de muito expressionismo.
É complicado ter que conviver com pessoas da minha idade, não que eu as despreze, só não consigo vê-las como seres "maduros" (não que eu seja), infelizmente,  nunca consegui me encaixar na massa ou conviver de forma sincera com pessoas da minha idade – talvez com ninguém –, sempre fui "diferente" e tudo que eu queria era ser mais uma, viver minha vida sem uma filosofia, sem uma reflexão e ser feliz.
Pensar demais é comportamento suicida.
Vejo as coisas acontecendo e não sinto necessidade de reagir, sempre me pergunto: pra quê?
Tão tal que não faço mais nada sem necessidade alguma e sinto falta.
Falta de agir por agir.
De falar por falar.
Mas é difícil viver por viver.
Não sei como fazer isso soar não-depressivo.



*Já falei na primeira postagem o porquê de eu usar Blog, mas a internet continua sendo perigoso e estou me expondo aqui, vou me expôr onde? prefiro falar com desconhecidos à falar com conhecidos.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Pra começar:


Começando um fim

(ou dois)

Criar um Blog soa muito mais maduro hoje em dia, talvez por ser old school ou simplesmente quase invisível em comparação a outras redes sociais.
Meu português não é o melhor, confesso, também declaro que não faço o mínimo pra melhorar.
Finjo ler, finjo estudar, finjo sorrir, finjo viver.

De uns dias pra cá ando obcecada por beleza, por publicações em sites que ensinam "How to think out the box" e por me encaixar em algum grupo, ou simplesmente ter companhia. Esse desejo incessante de se destacar de alguma forma me faz ver como nós humanos somos superficiais.

Por algum motivo as pessoas depositam muita fé em mim, não importa a realização – que fique claro, quando me refiro a pessoas falo de amigos, colegas, conhecidos, minha família está morta em presença – e isso é bem prejudicial. Eu achava saber trabalhar sobre pressão, bem...
Provavelmente você está achando isso sem pé e sem cabeça, mas é assim que eu funciono.
Minha mente não é um filme, são fotos perdidas no disco rígido do computador que formam falsas memórias, e o belo passado, doloroso, mas é passado, portanto belo.

Na onda de amadurecimento, aqui deixo minhas reflexões diárias, geralmente retóricas ou monólogos tristes. Aprendi na filosofia – de forma subjetiva– que reflexão te torna angustiado e desgostoso da vida. Cá estou.